Domingo, 04 de outubro de 2026

Banca responsável por concurso de Araguaína acumula questionamentos judiciais e recebe reclamações de candidatos

24/08/2026
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IDIB foi contratado pela Prefeitura de Araguaína para organizar concurso com 1.533 vagas; banca já foi alvo de decisões judiciais e questionamentos em outros estados

Foto: Divulgação

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O concurso público da Prefeitura de Araguaína, que reuniu mais de 38 mil candidatos para disputar 1.533 vagas, chegou à etapa de provas neste fim de semana em meio a reclamações relacionadas à organização do certame e ao histórico da banca responsável pela aplicação das avaliações.

O concurso é organizado pelo Instituto de Desenvolvimento Institucional Brasileiro (IDIB), contratado pela Prefeitura de Araguaína por meio de dispensa de licitação. O contrato, inicialmente estimado em aproximadamente R$ 4,95 milhões, também passou a abranger o concurso do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Município de Araguaína (IMPAR).

A escolha da instituição já havia provocado questionamentos antes mesmo da abertura do concurso. Reportagem publicada pelo RepórterTO apontou que o IDIB acumulava, nos últimos anos, questionamentos de órgãos de controle e decisões judiciais envolvendo concursos realizados em municípios de pelo menos seis estados.


Histórico de questionamentos


Entre os casos citados está o concurso realizado em Bayeux, na Paraíba, onde o Tribunal de Contas do Estado julgou irregular a dispensa de licitação utilizada para contratar o IDIB. A decisão manteve a suspensão do certame e determinou a devolução das taxas de inscrição aos candidatos.

Na Bahia, um acordo firmado em 2025 entre o Ministério Público, o Município de Juazeiro e o IDIB resultou no cancelamento de quatro concursos que estavam suspensos judicialmente. O acordo previu a devolução de aproximadamente R$ 2,3 milhões em taxas de inscrição para cerca de 13,5 mil candidatos.

Em Pernambuco, o Ministério Público ajuizou ação para questionar a prova objetiva de um concurso em Lagoa Grande, apontando, entre outros pontos, problemas relacionados ao horário das provas, divulgação de informações aos candidatos, gabaritos e cronograma. Outro certame organizado pelo IDIB no estado, em Santa Maria da Boa Vista, aparece como suspenso por tempo indeterminado.

Já no Piauí, o Ministério Público ingressou com ação civil pública questionando a contratação do IDIB e concursos realizados em Floriano. Entre os pontos apresentados na ação está a circulação antecipada de uma lista de classificação preliminar antes da divulgação oficial.

Em Goiás, a Justiça determinou a suspensão de um concurso da Câmara Municipal de Rio Verde organizado pelo IDIB. Segundo a decisão, o Ministério Público questionou, entre outros aspectos, a publicidade das informações relativas aos candidatos. Posteriormente, o próprio IDIB solicitou a rescisão do contrato.


Reclamações também surgiram em Araguaína


À medida que o concurso de Araguaína se aproximava da realização das provas, candidatos passaram a relatar problemas no sistema utilizado pela banca.

Entre as reclamações estavam mensagens de “dados não encontrados” durante a consulta ao cartão de confirmação, dificuldades para localizar o endereço da prova e situações em que candidatos afirmaram ter recebido informações inconsistentes sobre o local de aplicação.

Também houve relatos de candidatos que teriam sido direcionados para endereços no Pará, apesar de estarem inscritos para realizar a prova em Araguaína. Outro caso citado pela imprensa envolveu uma candidata que recebeu como endereço uma escola estadual que havia sido desativada administrativamente.

Candidatos também cobraram maior transparência na divulgação da concorrência por cargo. A relação nominal de inscritos acabou sendo divulgada às vésperas das provas, mas sem uma tabela consolidada que permitisse visualizar de forma simples a quantidade de concorrentes por vaga.

Caso chegou à Justiça às vésperas da prova

Outro episódio ocorreu poucos dias antes da aplicação das avaliações. Uma candidata afirmou ter realizado o pagamento da inscrição dentro do prazo, mas o sistema do IDIB não reconheceu o pagamento.

Diante da proximidade da prova, a Justiça do Tocantins concedeu liminar determinando que a candidata tivesse sua inscrição garantida e pudesse realizar a avaliação. A decisão também estabeleceu que, caso a regularização não fosse processada a tempo, ela poderia comparecer ao local de prova portando uma cópia da decisão judicial.


Prefeitura afirma que contratação seguiu a legislação


Ao ser questionada anteriormente sobre a escolha do IDIB, a Prefeitura de Araguaína afirmou que a contratação seguiu os procedimentos legais e que a banca apresentou toda a documentação de habilitação exigida.

Segundo o município, a escolha foi feita pela comissão responsável pelo concurso após análise das propostas apresentadas, considerando os critérios estabelecidos no Termo de Referência.

A Prefeitura também informou que os procedimentos foram registrados no portal de prestação de contas do Tribunal de Contas do Tocantins e no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP).

O município declarou ainda que pretende contar com órgãos de controle, como o Tribunal de Contas e o Ministério Público, para acompanhar a fiscalização do concurso.


IDIB contesta irregularidades


Em manifestação enviada ao RepórterTO, o IDIB afirmou que a contratação para o concurso de Araguaína ocorreu de acordo com a legislação vigente e que a instituição possui histórico de três contratações anteriores com o município.

Sobre os casos de Rio Verde e Floriano, a banca declarou que os procedimentos observaram os requisitos legais. O instituto também afirmou que, em Rio Verde, o concurso sequer chegou a ser executado porque a própria instituição solicitou a rescisão do contrato.

Em relação a Floriano, o IDIB afirmou que o concurso transcorreu normalmente e classificou eventuais recursos administrativos e ações judiciais como parte do exercício legítimo dos direitos dos candidatos.

A instituição também declarou que sua reputação ética e profissional é respaldada por contratos, pareceres e atestados emitidos por órgãos públicos, incluindo a Advocacia-Geral da União e tribunais de contas.

Reclamações após a aplicação das provas

Mesmo após a realização das avaliações, novas reclamações vieram a público. Relatos publicados nesta segunda-feira (24) apontaram questionamentos sobre as condições de trabalho de colaboradores responsáveis pela aplicação das provas e sobre o atendimento especializado a candidatos que teriam solicitado condições diferenciadas.

Os relatos ainda dependem de esclarecimentos da banca e não significam, por si só, que tenha havido irregularidade comprovada no certame. O IDIB foi procurado para se manifestar sobre essas ocorrências.

O concurso de Araguaína segue, portanto, sob atenção dos candidatos, especialmente diante do volume de reclamações registradas durante a preparação e realização das provas e do histórico de questionamentos envolvendo a banca em outros municípios.

O Trin Notícias continuará acompanhando as próximas etapas do concurso e eventuais manifestações da Prefeitura de Araguaína, do IDIB e dos órgãos de controle.

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